Bancos lucram R$ 87 bilhões em 2025, mas fecham mais de 11 mil postos de trabalho

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Os três maiores bancos privados do país, Santander, Itaú Unibanco e Bradesco, encerraram 2025 com lucros somados de aproximadamente R$ 87 bilhões, impulsionados pela expansão do crédito, crescimento das receitas com serviços e altos índices de rentabilidade. Apesar dos resultados recordes, as instituições seguiram reduzindo empregos e a rede de atendimento físico.

O Santander lucrou R$ 15,6 bilhões em 2025 (+12,6%), com ROE de 17,6% e carteira de crédito de R$ 708,2 bilhões. No mesmo período, fechou 5.985 postos de trabalho, encerrou 579 pontos de atendimento e reduziu em 735 o número de agências físicas.

O Itaú Unibanco registrou lucro de R$ 46,8 bilhões (+13,1%), com ROE de 24,6% e carteira de crédito de R$ 1,49 trilhão. Ainda assim, eliminou 3.535 postos de trabalho e fechou 319 agências físicas, mesmo com a base de clientes superando 100 milhões.

Já o Bradesco encerrou o ano com lucro recorrente de R$ 24,6 bilhões (+26,1%), ROE de 14,8% e carteira de crédito de R$ 1,09 trilhão. O banco fechou 1.927 postos de trabalho, além de encerrar 296 agências e 1.098 postos de atendimento.

Para as coordenações das Comissões de Organização dos Empregados (COEs), os números expõem uma contradição entre lucros bilionários e a política de enxugamento. Segundo os representantes, a redução de pessoal e de agências sobrecarrega os trabalhadores, precariza o atendimento e enfraquece o papel social dos bancos, mesmo em um cenário de resultados históricos.  De acordo com Hilário Ruiz, vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Rio Preto e região e membro do COE Bradesco, o fechamento de agências contrasta com os lucros bilionários do setor. “Os bancos seguem batendo recordes de lucro, mas fecham agências e reduzem trabalhadores, empurrando clientes para os canais digitais que nem sempre atendem às necessidades da população. Isso atinge principalmente os idosos, pessoas de baixa renda e cidades menores”, critica.

Já o presidente Júlio César Grochovski alerta para a atual realidade bancária, em que o aumento dos lucros vem acompanhado do fechamento de agências, demissões e precarização do atendimento. “Estamos atentos e em mobilização permanente para enfrentar essa realidade, que não apresenta justificativa convincente diante dos lucros bilionários dos bancos”, destaca.

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