Redução da jornada e fim da escala 6×1 pode alcançar milhões de trabalhadores, aponta Dieese

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A proposta de redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, junto ao fim da escala 6×1, pode impactar diretamente cerca de metade dos trabalhadores brasileiros. A estimativa é do Dieese, com base em dados da RAIS e da PNAD, do IBGE.

Segundo o levantamento, em 2025, 37% dos ocupados já trabalham 40 horas semanais. Outros 31% cumprem jornadas entre 41 e 44 horas, enquanto 16% ultrapassam o limite legal. No total, cerca de 22 milhões de trabalhadores formais possuem carga horária acima de 40 horas por semana. Entre os informais, aproximadamente 4,8 milhões também trabalham além desse limite. O estudo aponta ainda que cerca de 14 milhões de pessoas estão na escala 6×1.

Outro dado destacado é que 26,3 milhões de trabalhadores afirmam não receber pagamento por horas extras, o que indica jornadas frequentemente superiores às registradas oficialmente. O impacto da mudança seria mais expressivo entre trabalhadores de menor renda e jovens. Entre homens, 50% trabalham mais de 40 horas semanais; entre mulheres, o índice é de 41%.

Para o Dieese, a remuneração média de quem cumpre jornada de 44 horas corresponde a cerca de 42% da recebida por quem trabalha 40 horas semanais. Já 45% dos jovens entre 18 e 24 anos também ultrapassam esse limite de jornada.

A proposta está em fase avançada de tramitação na Câmara dos Deputados e prevê a adoção da escala 5×2, com dois dias de descanso semanal e redução da jornada sem redução salarial. O relatório deve ser apresentado nos próximos dias e pode ser votado ainda este mês em comissão especial e no plenário. Caso aprovado, seguirá para análise no Senado Federal.

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