Após um mês e meio de negociações intensas, os bancários conquistaram a reposição integral da inflação pelo INPC, acrescida de 0,6% de aumento real para 2026 e 2027. O acordo representa uma derrota à tentativa dos bancos de impor reajustes abaixo da inflação, que provocariam perdas reais nos salários e demais verbas da categoria.
A proposta será submetida à aprovação dos bancários em assembleias que acontecem das 19h desta quinta-feira (3) às 19h de sexta-feira (4). O reajuste será aplicado aos salários e também às demais verbas previstas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), como vale-alimentação (VA), vale-refeição (VR), auxílio-creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR), incluindo as parcelas básica e adicional.

Unidade garantiu avanços
Uma das principais disputas da campanha foi a manutenção da mesa única nacional de negociação, modelo construído desde 2004 e que reúne bancários de bancos públicos e privados.
Caso a proposta seja aprovada, a categoria acumulará, entre 2004 e 2027, reajuste de 286,5% nos salários, sendo 25% de ganho real. Nos pisos, o ganho real acumulado chegará a 47,1%. “Os bancos tentaram dividir a mesa de negociação, retirar direitos, congelar verbas e impor reajuste abaixo da inflação. Mantivemos a unidade, avançamos para o aumento real e em temas de saúde, melhores condições de trabalho e no encarecimento das demissões”, afirmou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Contraf-CUT.
Segundo Juvandia, foram 13 rodadas de negociação até que os bancos apresentassem uma proposta que garantisse a reposição da inflação e aumento real.
Mais proteção à saúde e às condições de trabalho
Além das conquistas econômicas, a negociação garantiu avanços em cláusulas sociais da CCT. Entre os principais pontos estão a participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais da NR-1, com foco na prevenção do adoecimento mental; ampliação do canal de combate ao assédio moral e sexual para denúncias envolvendo clientes; maior transparência no uso de ferramentas de monitoramento digital; direito a feedback e medidas para uma gestão mais ética da tecnologia.
Outro avanço é o direito à desconexão, garantindo o respeito ao período fora da jornada de trabalho, sem obrigatoriedade de responder mensagens de gestores ou clientes fora do expediente.
A paralisação nacional realizada em 20 de agosto também será abonada nas bases que aprovarem a proposta nas assembleias.
Demissões terão indenização maior e programa de recolocação
A campanha também garantiu medidas voltadas aos bancários demitidos em razão do fechamento de agências.
Uma das iniciativas prevê a contratação da consultoria Gi Group, que oferecerá planos individualizados de qualificação e recolocação profissional, além de acesso a cursos e a um banco de talentos conectado a empresas de todo o país.
Também foi negociado o aumento da indenização adicional prevista para trabalhadores demitidos em decorrência do fechamento de agências.
A medida busca ampliar a proteção financeira e as possibilidades de recolocação dos trabalhadores em um cenário de forte redução da rede física dos bancos.
Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, foram fechadas cerca de 9,5 mil agências bancárias. Apenas no primeiro semestre de 2026, os maiores bancos do país encerraram 669 unidades.
Bancários devem participar das assembleias
O Comando Nacional dos Bancários e a Contraf-CUT orientam a categoria a participar das assembleias e dos debates que antecedem a votação. A aprovação da proposta nos dias 3 e 4 permitirá que a primeira parcela da PLR seja creditada em 30 de setembro.
O percentual final do reajuste de 2026 ainda será definido após a divulgação do INPC referente à data-base da categoria, em 1º de setembro. O índice será divulgado em 11 de setembro. Assim, o reajuste total será composto pelo INPC mais 0,6% de aumento real. A campanha chega ao fim com a manutenção dos direitos previstos na CCT, avanços nas cláusulas sociais e aumento real para os bancários, resultado da mobilização e da unidade nacional da categoria.



