Expansão do mercado de trabalho não impede corte de 8,9 mil postos no setor bancário em 2025

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Em 2025, o setor bancário brasileiro eliminou 8.910 postos de trabalho, enquanto o mercado como um todo criou 1,28 milhão de empregos com carteira assinada, segundo a Pesquisa do Emprego Bancário nº38, do Dieese, com base no CAGED. O único saldo positivo veio da Caixa Econômica Federal (+1.185 vagas) e do Centro-Oeste, impulsionado pelo Distrito Federal (+862). Por outro lado, os bancos múltiplos tradicionais, como Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, fecharam 9.138 postos.

Perfil dos desligamentos

O impacto foi maior sobre as mulheres, que perderam 5.667 vagas, especialmente mulheres negras, que tiveram saldo negativo de 907 postos. Apenas os jovens até 29 anos registraram saldo positivo (+5.638 vagas). As desigualdades salariais persistem: homens não negros receberam, em média, R$ 9.644 ao serem admitidos, enquanto mulheres negras tiveram média de R$ 5.424.

Áreas de crescimento

A Tecnologia da Informação foi a única área com saldo positivo, criando 845 vagas, mas majoritariamente ocupadas por homens (78,3%). As áreas bancárias tradicionais continuaram a perder postos, com fechamento de 9.277 vagas, impactando mais as mulheres.

Avanços e desafios

O movimento sindical destaca a importância da Lei de Igualdade Salarial e de programas como Mais Mulheres na TI, que formou 3.100 mulheres em 2025. Também defende a redução da jornada de trabalho, que poderia gerar até 108 mil novas vagas no setor, considerando uma semana de quatro dias. Apesar dos recordes de lucro dos maiores bancos privados (R$ 87 bilhões), o setor bancário segue reduzindo postos, reforçando desigualdades de gênero, raça e idade, contrariando a expansão do emprego no país.

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