A mesa única de negociação, conquistada em 2003, é considerada pelo movimento sindical uma das principais ferramentas para garantir avanços e direitos aos bancários de instituições públicas e privadas.
Antes desse modelo, empregados de bancos públicos enfrentavam anos de perdas salariais, redução de direitos, ausência de reajustes e dificuldades nas negociações. No caso da Caixa, por exemplo, a categoria não possuía sequer um modelo de PLR antes da unificação das negociações.
Com a mesa única, trabalhadores do Banco do Brasil, Caixa e bancos privados passaram a negociar em conjunto, fortalecendo a categoria nacionalmente. A partir desse processo, houve avanços como aumento real de salários, fortalecimento da PLR, melhorias nos vales alimentação e refeição e redução das diferenças entre empregados.
De acordo com a Contraf, a negociação unificada também foi essencial para ampliar a participação dos bancários nos lucros dos bancos públicos. Em 2025, a Caixa distribuiu 15% do lucro em PLR e o Banco do Brasil destinou 11%, valores que, segundo análise do Dieese, seriam menores caso os bancos estivessem submetidos às regras gerais das empresas estatais.
Além da remuneração, a mesa única garantiu a padronização de direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), incluindo reajustes dos benefícios e melhores condições de negociação para toda a categoria. Durante as negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026, os representantes dos trabalhadores voltaram a defender a manutenção desse modelo após manifestações da Fenaban sobre uma possível separação entre bancos públicos e privados.
Para o Comando Nacional dos Bancários, o fim da mesa única representaria um retrocesso e poderia enfraquecer a capacidade de negociação da categoria. A defesa é de que a unidade nacional continue garantindo direitos e avanços construídos ao longo de mais de 20 anos.


