O Bradesco registrou lucro de R$ 20,97 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, crescimento de 15,6% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar do resultado expressivo, o banco fechou 3.200 postos de trabalho em 12 meses, sendo 1.002 apenas no terceiro trimestre.
A reestruturação também atingiu a rede de atendimento, com o fechamento de 318 agências e 550 postos de atendimento no período. Em contrapartida, a base de clientes cresceu 300 mil pessoas no terceiro trimestre, chegando a 110,7 milhões.
Para Erica de Oliveira, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, os números evidenciam os impactos da política de cortes sobre os trabalhadores e a população.
“É inadmissível que um banco que lucra quase R$ 21 bilhões em nove meses continue fechando milhares de postos de trabalho. Os trabalhadores enfrentam sobrecarga, pressão por metas e insegurança, enquanto os clientes encontram dificuldades no atendimento”, critica.
Outro destaque do balanço é a receita com serviços e tarifas bancárias, que somou R$ 23,8 bilhões no período, alta de 3,3% em relação ao ano anterior. Já a carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,15 trilhão, crescimento de 11,1% em 12 meses.
Diante dos resultados, a COE Bradesco cobra a revisão da política de cortes, a preservação dos empregos e a manutenção de uma estrutura de atendimento compatível com as necessidades dos clientes.
“Os trabalhadores ajudam a construir esses resultados e não podem ser tratados como custos descartáveis. Queremos respeito, empregos, condições dignas de trabalho e atendimento de qualidade para a população. O lucro não pode estar acima das pessoas”, reforça Erica.


