Mesmo com lucro de R$ 37,3 bilhões, Itaú elimina 3.259 empregos e fecha 334 agências

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O Itaú Unibanco encerrou os primeiros nove meses de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 37,3 bilhões, alta de 8,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, o crescimento dos resultados veio acompanhado da redução de 3.259 postos de trabalho e do fechamento de 334 agências físicas em todo o país, nos últimos 12 meses.

Os dados foram apresentados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em análise do balanço do terceiro trimestre da instituição.

Somente entre julho e setembro, o banco registrou lucro de R$ 12,6 bilhões. A receita com tarifas e prestação de serviços também chamou a atenção: foram R$ 37,8 bilhões no acumulado do ano, montante que corresponde a 141,1% das despesas com pessoal e PLR, que somaram R$ 26,7 bilhões.

Para a representação sindical, os resultados evidenciam a necessidade de rever a política de redução de funcionários, especialmente diante da capacidade financeira da instituição.

Impactos sobre os bancários e clientes

Em setembro, o Itaú mantinha 80.350 empregados no Brasil. A redução do quadro funcional, somada à cobrança por metas e às reestruturações, preocupa as entidades sindicais pelos impactos na saúde dos trabalhadores e na qualidade do ambiente profissional.

A coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai, questionou a continuidade das demissões diante dos resultados apresentados pelo banco.

“É inaceitável que um banco que lucra mais de R$ 37 bilhões em nove meses continue demitindo e fechando agências”, declarou.

A redução da rede física também preocupa. O número de agências caiu de 1.998 para 1.664 unidades em apenas um ano, dificultando o acesso ao atendimento presencial, principalmente para idosos e pessoas com dificuldades de utilizar os canais digitais.

As entidades sindicais defendem a preservação dos empregos, a realocação dos funcionários atingidos pelas reestruturações, o combate às metas abusivas e a manutenção de uma rede de atendimento adequada às necessidades da população.

O movimento sindical também cobra transparência na adoção de novas tecnologias e inteligência artificial, além da participação dos trabalhadores nas decisões que envolvem mudanças nos processos de trabalho.

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