O segundo dia do Encontro Nacional de Saúde do Trabalhador Bancário, realizado nesta quinta-feira (23) na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, foi marcado pelo lançamento do livro “Burnout: Conflitos de Valores Éticos e Alterações de Identidade”, do psicólogo e pesquisador Rui Carlos Stockinger.
Durante o evento, o autor também ministrou uma palestra em que abordou o crescimento da síndrome de burnout no mundo do trabalho, destacando o impacto das novas dinâmicas laborais na saúde mental dos trabalhadores, especialmente no setor bancário.
Segundo Stockinger, o burnout tem se consolidado como uma “epidemia silenciosa”, caracterizada por esgotamento físico e emocional, queda de produtividade, desmotivação e alterações na identidade profissional, afetando diretamente o bem-estar e a autoestima dos trabalhadores.
Dados preocupam especialistas
As discussões do encontro foram embasadas em dados que reforçam a gravidade do problema no Brasil. Estimativas apontam que cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros apresentam algum tipo de transtorno relacionado ao esgotamento profissional, podendo chegar a 33 milhões de pessoas.
Em 2024, mais de 470 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais e comportamentais, o maior número já registrado. No caso do burnout, os diagnósticos no país teriam aumentado seis vezes em comparação a 2021, enquanto os afastamentos por questões de saúde mental cresceram quase 1000% na última década.
Entre bancários e bancárias, uma pesquisa apresentada no encontro revelou um índice de 84% de prevalência de burnout entre os participantes, considerado um dos mais altos já registrados em estudos da categoria.
Saúde mental em pauta nas negociações
Para o secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, o cenário reforça a necessidade de tratar a saúde mental como prioridade permanente nas negociações com o setor financeiro.
“O burnout não é uma fragilidade individual, mas resultado direto das condições de trabalho, da pressão por metas e da intensificação do ritmo laboral”, afirmou. Segundo ele, o debate sindical é fundamental para ampliar a conscientização e fortalecer ações de prevenção ao adoecimento.
O encontro segue com discussões voltadas à saúde do trabalhador e à construção de políticas de proteção à saúde mental na categoria bancária.


