Lucros recordes dos bancos e endividamento das famílias desafiam a campanha salarial 2026

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A terceira mesa da 28ª Conferência Nacional dos Bancários debateu os desafios econômicos e as transformações no setor financeiro. O economista Gustavo Cavarzan, do Dieese, destacou o contraste entre os lucros recordes dos bancos e o alto endividamento das famílias brasileiras, agravado pelas elevadas taxas de juros. Segundo ele, embora a renda média tenha crescido nos últimos anos, grande parte desse avanço é consumida pelo pagamento de dívidas, especialmente no cartão de crédito.

Cavarzan também apontou que, entre 2020 e 2025, o lucro do Sistema Financeiro Nacional cresceu 114%, impulsionado principalmente pelos bancos digitais, enquanto a população ainda enfrenta dificuldades para recuperar seu poder de compra.

Na sequência, a economista Rosangela Vieira analisou as mudanças no mercado de trabalho bancário. Ela destacou o fechamento de 1.345 agências entre 2024 e 2025 e a redução de vagas tradicionais, ao mesmo tempo em que aumentam os empregos na área de Tecnologia da Informação. Segundo a pesquisadora, esse processo tem ampliado a exclusão das mulheres, que ocupam a maioria dos cargos eliminados, mas representam apenas 24% das novas vagas em tecnologia.

Os especialistas concluíram que a digitalização, a expansão das fintechs e o uso crescente da inteligência artificial continuarão transformando o setor, impondo novos desafios para o emprego, a qualificação profissional, a saúde dos trabalhadores e a organização sindical da categoria.

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